segunda-feira, 30 de maio de 2011

Vida Madrasta

Também eu já lá estive.
Nos dias de hoje, parece que é moda, são poucos os que conheço que ainda não desfrutaram do prazer que é fumar um charro.
Até eu já tive esse prazer.
Um sorriso crescia no meu rosto assim que sentia o belo aroma da "sopa"
a queimar, quando me giravam a ganza, uma súbita adrenalina percorria o meu corpo e mente, causando-me uma agitação agoniante e insopurtável que só era acalmada quando levava a ganza à boca e lhe dava os primeiros bafos.
Após a ganza estar fumada, seguia-se a moca, que provocava uma dormência por todo o meu corpo, por vezes a dormência era tal que perdia a força nas pernas acabando por cair onde quer que estivesse.
Mas essa dormência era boa, tinha um efeito anestésico fazendo com que eu fosse imune a qualquer tipo de dor que me rodeasse.
Durante o efeito da moca, ria-me desalmadamente, ria-me como já não me ria à muito tempo, e apesar dos meus risos e gargalhadas serem provocados por narcóticos, ao menos eram genuínos.

Mas com a droga e com as boas mocas vieram os problemas, problemas os quais que só me enterravam cada vez mais no vicío.
Tive quem me ajudasse a levantar e a escapar do buraco, pois caso contrário teria sido o meu fim.

Hoje olho para trás e pergunto-me:
Para quê?

Sim diverti-me, bastante até, mas terá valido a pena?

Terá valido a pena sacrificar tudo o que sacrifiquei, fazer as figuras que fiz e ter sido magoada da maneira que fui?
Chego à conclusão que não passou de um simples acto de rebeldia despoletado pela irresponsabilidade típica da idade.


Sei hoje, que ninguém que comece a fumar droga é feliz, todos eles são atormentados pelos seus demónios, caso contrário não procuraríam um suplemento para a felicidade.
Porque a droga não passa disso mesmo, a droga dá-nos uma falsa sensação de felicidade, ajuda-nos a apagar as nossas mágoas, faz-nos esquecer o que nos apoquenta, mas como qualquer outra anestesia, é apenas temporária.

Com o tempo a droga torna-se um bem essencial para a sobrevivência do drogado, que já só consegue ser feliz quando está sob o efeito de narcóticos.

E de que vale uma vida, que é passada em puro estado de dormência?










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